Notícia

Cresce a presso por reduo da jornada

As centrais sindicais vo aproveitar o clima eleitoral para pressionar
o Congresso a aprovar no primeiro semestre a Proposta de Emenda
Constituio (PEC) que reduz a jornada de trabalho das atuais 44 horas
para 40 horas semanais. "Se for votao este ano, a proposta ser
aprovada", afirmou o presidente da Central nica dos Trabalhadores
(CUT), Artur Henrique. "Temos de aproveitar o momento e tentar incluir
o tema prioritrio para votao ainda no primeiro semestre."



A mesma certeza tem o secretrio-geral da Fora Sindical, Joo Carlos
Gonalves, o Juruna. "Na votao, ficar claro quem o parlamentar que
defende o trabalhador. E isso conta bastante, porque daqui a alguns
meses os parlamentares sero julgados nas urnas."



Os sindicalistas atuam em duas frentes na batalha pela reduo da
jornada. Ao mesmo tempo em que pressionam os parlamentares, buscam
abrir negociaes com empresas e setores de atividade, tendo como
instrumento de presso a ameaa de greves (ver texto ao lado).



A proposta de reduo da jornada incendiou as discusses tanto entre
empresrios e centrais sindicais quanto entre os seus representantes no
Congresso. O presidente da CUT argumenta que a ltima vez que houve
reduo de jornada no Pas, de 48 para 44 horas, foi na Constituinte de
1988. Ele frisa que de l para c a produtividade do trabalho na
indstria de transformao saltou 84%, segundo o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatstica (IBGE).



"Esses ganhos no foram repassados aos trabalhadores. Os aumentos reais
de salrios conquistados nas negociaes dos ltimos sete anos so
importantes, mas no chegam aos ps do aumento da produtividade", diz
Artur Henrique.



Um dos principais argumentos dos sindicalistas na defesa da reduo da
jornada para 40 horas que a medida teria potencial para gerar mais de
2,5 milhes de postos de trabalho. Alm disso, o fim das horas extras
poderia gerar mais 1 milho de postos de trabalho.



" um discurso eleitoreiro e oportunista, j que em todos os pases
onde a jornada foi reduzida por lei ou negociao ningum conseguiu
provar que ela resultou em aumento do emprego", afirma o professor da
Faculdade de Economia e Administrao da Universidade de So Paulo
Hlio Zylberstajn.



O presidente da Confederao Nacional da Indstria (CNI), deputado
Armando Monteiro Neto (PTB-PE), afirma: "A proposta demaggica,
porque no gera empregos como as centrais anunciam".



Segundo Paulo Skaf, presidente da Federao das Indstrias do Estado de
So Paulo (Fiesp), para as grandes empresas, que j tm jornadas iguais
ou inferiores a 40 horas, a reduo no traria efeito. "J para as
micro e pequenas empresas, a medida seria invivel, trazendo o risco de
desemprego, como aconteceu na Frana."



Marlin Kohlrausch, presidente da fabricante de calados Bibi,
"radicalmente contra" a carga de trabalho menor. "Isso no vai criar
empregos. As empresas vo exigir mais dos mesmos empregados para manter
a produtividade sem gastar mais para isso", alerta.



Para o varejo, a jornada menor pode trazer prejuzos aos negcios e aos
trabalhadores. "O impacto muito grande. Tenho cerca de 11 mil
funcionrios, e 7 mil deles so vendedores que dependem das comisses
sobre vendas. Com a jornada menor, os ganhos vo cair", diz Ricardo
Nunes, presidente da Ricardo Eletro, com sede em Belo Horizonte.



Segundo o empresrio, hoje, com 44 horas semanais, j h problemas. "J
trabalhamos no limite, abrindo mais tarde as lojas e fechando mais
cedo. Nem sei o que aconteceria se a reduo da jornada fosse aprovada."



Fonte: O Estado de S. Paulo
Data: 03/03/2010